A rigor, La Tourneuse de Pages dá a impressão de seguir uma fórmula, inspirada em diretores como Chabrol, para provocar esta ou aquela reação na platéia. Mas há algo neste pequeno filme que faz com que queiramos ver o desastre a que se encaminham as personagens, mesmo percebendo que ele se aproxima. Para mim, por si só isso já faz de Ao Lado da Pianista um bom filme.  O que o torna um ótimo filme é a direção de Denis Dercourt – também responsável pelo roteiro – e a atuação de Catherine Frot e Deborah François, que fazem deste um filme rico em detalhes, de ritmo constante e muito saboroso de ser assistido. 

Os detalhes são um capítulo à parte. De uma forma geral, nada é explicado, muito é sugerido e algo fica como mistério. As motivações de Mélanie esgotam-se em seu desejo de vingança? As ações dela para satisfazê-lo resumem-se ao que aparece na tela? Ou , ao contrário, incluíram uma ação apenas mencionada, mas nunca retomada pela narrativa? Essas são apenas algumas das perguntas que ficam após o filme.

O que me assombra desde que vi o filme, entretanto, é a solidão de Ariane, seu desejo e seus medos. E seu destino, ao final.

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