“Pensar é confinar-se em um único pensamento que, um dia, permanece fixo como uma estrela no céu do mundo”.

 Essa frase de Heidegger, por contraste, sintetiza à perfeição certa característica da forma com que tenho me aproximado das idéias ultimamente. Essa aproximação é feita de forma apressada, descuidada, superficial. Tenho estado dispersa e sujeita a um excesso de informação – em sua maior parte, dispensável – que afrouxa minhas reflexões a ponto de torná-las inconsequentes.

A dificuldade em escrever e, principalmente, a dificuldade em estruturar o pensamento em formas que possam ser comunicadas – por escrito ou não – vem daí. O sujeito atual típico – sou um, ou não? – não suporta confinamentos.  Prefere os espaços abertos da informação apressada ao espaço circunscrito pelos limites do pensamento rigoroso; sente-se melhor sob as luzes artificiais do pisca-pisca que diverte e encanta momentaneamente do que à iluminação dessa estrelinha que ocupa e fascina de forma constante e crescente.