Água, caminhada, maçã e música. Nessa ordem.
October 17, 2009

Trecho de uma troca de mensagens entre mim e alguém que havia acabado de assistir a Anticristo e ainda estava tentando decidir o que pensava a respeito do filme:
Gosto dos filmes do Lars von Trier porque viajo neles. Hoje mesmo estava lendo Os Irmãos K. e passei pelo trecho do diálogo entre Ivan e Aliócha, na taverna, depois que este último conversa com Lise, antes de voltar para junto do Stárietz, que morre. Juro pela raposa falante de Anticristo que, ao dirigir Dogville, von Trier se comportou conosco da mesma forma que, em parte do diálogo, Ivan se comporta com Aliócha. No livro, Ivan, negando-se a aceitar a hipocrisia que se apóia no cristianismo para justificar as mais cruéis ações contra quem nunca poderia se defender, descreve justamente todas as humilhações e sofrimentos pelos quais estes poderiam passar. Ao final, ele sugere ao irmão, interrogativamente, o que se deveria fazer com um dos ofensores. “Fuzilar?” Ao que o irmão, o mais puro, o mais pio, o mais cristão dos Karamázov, por um momento concorda: “Fuzilar!”. Ivan conclui: “Bravo! Já que tu o disseste, então… Ai, seu monge asceta! Vê só que demoniozinho tu tens no coração, Aliócha Karamázov.”

Não foi exatamente o que Lars von Trier fez conosco no fim de Dogville? Pelo menos, foi assim que eu me senti, ao fim da sessão: presa em uma armadilha, uma “ilustração” eficiente de como sou capaz de gozar com a morte do outro.
Depois de ter escrito e enviado isso, pensei que é também desse gozar com a destruição do outro de que trata parte da obra do diretor norueguês. Certamente, isso não é uma característica deste ou daquele sexo ou gênero. É humano. Há um outro trecho de Os Irmãos Karamázov em que uma das personagens ecoa a conclusão a que muitos de nós já chegamos: a crueldade que podemos presenciar entre os humanos é tal como os animais nunca poderiam imaginar. Porque somos dotados de linguagem, porque somos simbólicos, podemos testemunhar uma beleza a que nenhum outro ser vivo tem acesso, mas também podemos sofrer e infligir dores inéditas.
Para quem lê russo, Братья Карамазовы.
(definitivamente, não é o meu caso)
October 16, 2009
O azul e o cinza se encontram em um trecho do Livro do Desassossego, de Bernardo Soares. Este encontro torna manifesta a transfiguração da melancolia em algo terrivelmente belo. Se tornar pensamentos visíveis, como queria um certo pintor, ou se pintar quadros com palavras, como buscava uma certa escritora, são tarefas possíveis ou não, é uma questão que ficará em aberto, acolhendo quem quiser pensar sobre ela. O fato é que poucos textos nos capturam, como este, pintado em cinza e azul:
“Na tarde em que escrevo, o dia de chuva parou. Uma alegria do ar é fresca demais contra a pele. O dia vai acabando não em cinzento, mas em azul-pálido. Um azul vago reflete-se, mesmo, nas pedras das ruas. Dói viver, mas é de longe. Sentir não importa. Acende-se uma ou outra monta. Em uma outra janela alta há gente que vê acabarem o trabalho. O mendigo que roça por mim pasmaria, se me conhecesse. No azul menos pálido e menos azul, que se espelha nos prédios, entardece um pouco mais a hora indefinida. Cai leve, fim do dia certo, em que os que crêem e erram se engrenam no trabalho do costume, e têm, na sua própria dor a felicidade da inconsciência. Cai leve, onda de luz que cessa, melancolia da tarde inútil, bruma sem névoa que entra no meu coração. Cai leve, suave, indefinida palidez lúcida e azul da tarde aquática – leve, suave, triste sobre a terra simples e fria. Cai leve, cinza invisível, monotonia magoada, tédio sem torpor.”
February 27, 2009
Nenhum dos textos que eu havia lido, nos jornais, sobre Dúvida antecipou minhas impressões sobre o filme. Considerações sobre o pouco espaço aberto à possibilidade de inocência do padre pela freira à parte, penso que as resenhas e comentários foram muito menos generosos com a personagem de Meryl Streep do que o equilíbrio recomendaria.
Pode ser algo que deponha contra mim, mas saí do cinema sem quaisquer dúvidas.
Algo que não pode mesmo ser esquecido em qualquer comentário sobre esse filme é o diálogo entre a irmã Aloysius e a mãe de Donald; na fala da mãe que vê no padre, provavelmente culpado da acusação que paira no ar contra ele, a melhor chance que tem seu filho de escapar à pobreza e ao preconceito que o cerca, pode estar uma das chaves para compreender alguns trechos de diálogo entre ele e a freira: para a mãe, o padre, independente da verdade ou não da acusação, um homem culto, que demonstra especial interesse em seu filho, o trata com carinho, e que pode tomá-lo sob sua proteção e encaminhá-lo a uma educação universitária. Ela é mais específica: ela sabe que seu filho é gay e precisa de um homem que o ame. Esse filho que não tem nem ao menos o amor do pai, que conhece sua natureza. Há um momento lapidar em que a freira afirma que essa natureza não é importante; o que importa são os atos cometidos. Mas é irônico ver que o que está em jogo é, sim, algo da ordem da natureza. Obviamente, não da sexualidade de Donald, mas do fato que pode ter ocorrido.
Enquanto certamente podemos simpatizar com a mãe que reconhece em seu filho uma característica, além da cor da pele, que o distingue da maioria que o cerca e que, nas circunstâncias em que vivem, o fragiliza um pouco mais ainda; e que, reconhecendo isto, segue amando-o e tentando protegê-lo, não menos certamente nos opomos à sua disposição de fechar os olhos para o que possa estar realmente acontecendo entre seu filho e o padre Brendan. Onde está a chave para o diálogo entre as personagens de Philip Seymour Hoffmann e Meryl Streep? No fato de que também para o padre ele é o que de melhor poderia ter acontecido ao menino. Ele realmente acredita no amor e na bondade com que trata o rapaz. Parte do antagonismo com que a crítica encarou a personagem de Meryl Streep, injustamente, em minha opinião, se deve ao fato de que, em algum grau, seu olhar se colou ao ponto de vista do padre.
A dúvida em questão não parece mais recair sobre se o ato (im)pensado aconteceu ou não entre os dois, mas sobre a natureza desse ato. Também sobre isso irmã Aloysius não tem dúvidas: é fundamentalmente errado. Essa convicção é admirável e isso poderia ter sido notado pelos críticos. Se mudarmos o foco um pouco e olharmos por este ponto de vista, percebemos a permanência da opressão a que as mulheres são ainda submetidas na hierarquia da igreja católica – não à toa, o padre Brendan age com uma arrogância que lhe vem naturalmente, no início do filme, em relação à freira: quando entra em sua sala pela primeira vez, ele senta na cadeira dela e é servido por ela. Já no meio da narrativa, quando o conflito está posto, ele diz que ela deve obediência à hierarquia da igreja, por ter feito votos – mas esquece de que ele também os fez: votos de castidade. Nenhuma das resenhas que li a respeito do filme tocou neste aspecto, o que é inexplicável. Será que a questão ainda é tão “natural” que permanece imperceptível?
Por último, o final. A colunista da Veja afirmou – e vários outros repetiram – que os últimos 30 segundos do filme cometeram um pecado, o “pecado de querer perdoar”. Como se irmã Aloysius fosse a única a precisar ser perdoada. A cena consiste em ela admitir à irmã James que tem dúvidas. “Tantas dúvidas!”. Os colunistas parecem ter interpretado esta fala como referida a dúvidas sobre a culpa do padre. Ao contrário, a fala parece vir de outros lugares: ela questiona se, depois de tudo que aconteceu, elas deveriam ter o direito de dormir bem. Afinal, após se demitir da paróquia, o padre, que tacitamente admitiu ter um histórico de ligações sexuais com alunos, foi promovido, ficando a cargo de outra paróquia e de uma escola. A personagem de Meryl Streep questiona-se sobre a instituição de que faz parte; sobre o mundo em que vive e como ele prefere ignorar o que acontece; ela também deve ter dúvidas sobre ela mesma, em seu afastamento de Deus para desmascarar o mal (“in the pursuit of wrongdoing, one steps away from God”); e, provavelmente, ela questiona-se acerca do deus cristão em que acredita e sob os olhos de quem tudo se desenrola.
Sim, ela tem dúvidas. E a cena em que ela admite isso é o coroamento de um belo filme.
February 1, 2009

Já li artigos bastante interessantes sobre o movimento slow writing, mas isso já está beirando o ridículo: não apenas o espaço de tempo entre meus posts é excessivo, mesmo para o maior seguidor deste movimento, como também a qualidade esperada pela diminuição do ritmo está longe de ser atingida aqui.
Quebro o jejum de letrinhas apenas para mencionar a leitura de Esboço para um Auto-Retrato, do crítico de arte Bernard Berenson. Nunca havia lido nada escrito por Berenson, a não ser o breve trecho que consta da epígrafe do romance A Paixão Segundo GH, de Clarice Lispector, livro que me acompanha, no duro, há quase 20 anos.
Comprei o livro de Berenson ao encontrá-lo em um sebo que freqüento, não apenas por conta desta epígrafe, mas também por me lembrar do melhor livro que li sobre Clarice, escrito por sua amiga Olga Borelli: Esboço para um Possível Retrato. A semelhança entre os títulos, somada à afirmação de Clarice de que o livro de Berenson nada tinha a ver com o seu, apesar de ter escolhido dele um trecho para epigrafe (methinks the lady doth protest too much…), fez com que ele se tornasse irresistível para mim.
E não me arrependi. Seja qual for a idéia que se tenha do autor finda a leitura do livro, é inegável que ele tenha sido uma testemunha (uma das ultimas, talvez?) de um mundo que parece estar se despedindo de nós. Um mundo onde isto ainda se faz sentir. Isto não é algo que está dado no mundo; antes, é necessária uma sensibilidade específica para percebê-lo. Da mesma forma, esta sensibilidade específica não é algo puramente dado; ao menos, não me parece que seja assim. Quero dizer, ainda que o indivíduo tenha propensão a ela, como vivê-la em um mundo que é seu franco inimigo?
Devorei o livro de Berenson como quem morre de inanição. Como eu senti falta dessa comunhão. Como eu senti falta disto.
A epígrafe (que Clarice deixa no original, em inglês, traduzindo-a apenas em uma das crônicas que escreveu para o JB): “Uma vida completa talvez seja a que termine em tal plena identificação com o não-eu, que não resta nenhum eu para morrer.”
Outro trecho:
“Isto são as experiências supremas, valorizadas por si mesmas e em intenção de nós mesmos, intransitivas, embora afetem igualmente os outros e a nós, na medida em que permanecemos sob o horizonte do momento – quer dizer, sob o limiar da consciência. Isto é estético e, até o ponto máximo em que os dois podem ser mantidos separados, não-ético. Isto aceita o que é como se o que é fosse uma obra e arte em que as qualidades superassem em importância os defeitos a tal ponto que estes pudessem ser ignorados. Isto é incapaz de analisar, não exige explicações nem apologia, é auto-evidente e certo. Podemos cantá-lo, mas discuti-lo é impossível. Isto é o estado mais imediato e místico. (…) Todas as experiências que ainda estão à minha espera, grandes ou pequenas, serão uma obra de arte, um máximo, serão isto (…). (…) Assim, de certo modo, atingi a promessa de Goethe de que o que se deseja ardentemente quando jovem se realiza na velhice. Não estou longe do meu nirvana, estou perto disto. E isto é um sentimento de identificação com a paisagem, com a casa e com tudo o que há nela, com as pessoas que passam, com as pessoas que freqüentamos, com a nossa ocupação, mental ou manual, uma identificação tão completa que desconhece tudo o que é externo a ela. Em outras palavras, isto é uma união mística.”
Até março de 2010!
January 2, 2008
A rigor, La Tourneuse de Pages dá a impressão de seguir uma fórmula, inspirada em diretores como Chabrol, para provocar esta ou aquela reação na platéia. Mas há algo neste pequeno filme que faz com que queiramos ver o desastre a que se encaminham as personagens, mesmo percebendo que ele se aproxima. Para mim, por si só isso já faz de Ao Lado da Pianista um bom filme. O que o torna um ótimo filme é a direção de Denis Dercourt – também responsável pelo roteiro – e a atuação de Catherine Frot e Deborah François, que fazem deste um filme rico em detalhes, de ritmo constante e muito saboroso de ser assistido.
Os detalhes são um capítulo à parte. De uma forma geral, nada é explicado, muito é sugerido e algo fica como mistério. As motivações de Mélanie esgotam-se em seu desejo de vingança? As ações dela para satisfazê-lo resumem-se ao que aparece na tela? Ou , ao contrário, incluíram uma ação apenas mencionada, mas nunca retomada pela narrativa? Essas são apenas algumas das perguntas que ficam após o filme.
O que me assombra desde que vi o filme, entretanto, é a solidão de Ariane, seu desejo e seus medos. E seu destino, ao final.
September 24, 2007

O poster acima dá uma idéia correta do filme. E uma errada. O que há de mais fraco em Shortbus é seu desejo de apontar uma possibilidade nova para relacionamentos amorosos. O final do filme é óbvio demais, por conta disso, com seu otimismo que tudo esquece.
Mas, até lá, o filme reflete sobre algumas questões bem interessantes. A imagem dominante nesse filme é a pele. Há pele pelo filme inteiro. Muito contato entre peles (muitas pessoas, aliás, reclamam do filme por ser gráfico demais). Ela chega a ser nomeada por uma personagem, que diz ter consciência de tudo de bom que tem à sua volta, mas que nada o penetra, ‘tudo pára na pele’. Outra personagem classifica pessoas como ‘permeáveis’ e ‘impermeáveis’, conferindo às primeiras uma maior possibilidade de felicidade, de compreensão.
Está colocada, então, a questão da comunicação entre as pessoas, da solidão, das possibilidades de encontro real entre nós. E tudo em um contexto atual, de tempo e localização bem definidos: Nova York pós-AIDS, pós-11 de setembro, quando o conservadorismo galopou – e ainda galopa - pelas bandas de lá. Apesar dessa contextualização, que ajuda a tornar as personagens mais nítidas, essas questões estão rolando por aí há bem mais tempo, e em bem mais lugares. Nossa pele está mais grossa do que antes? Somos mais impermeáveis? Quais são as possibilidades reais de que dispomos de encontro com outro ser humano, em um mundo que privilegia a pressa e a superficialidade?
O final parece ter optado por não responder – ou melhor, esquecer – as perguntas. Ou, ainda, dar uma resposta bem mais superficial do que a que elas mereciam, uma que parou na pele.
September 24, 2007
Contemplação da Beleza que dá sentido à vida e leva à verdade
Posted by Luciene under Leituras1 Comment

Diotima diz a Sócrates o que sabe sobre o amor. Sócrates, por sua vez, narra o que lhe dissera Diotima a todos os presentes ao banquete que comemorava o prêmio recebido por Agáton por sua primeira tragédia; anos depois, Aristodemo, que havia estado no banquete, transmite suas lembranças dos discursos feitos então a Apolodoro, que, instado por Glaucon, faz-lhe a narrativa.
Ao reler O Banquete para um curso de extensão, percebi que lembrava pouco além disso. Lembrava, certamente, de que para Diotima, o amor era falta. Havia esquecido, entretanto, de como o discurso dessa mulher da Mantinéia (urdido por Sócrates e recontado por Platão…) retomava algumas idéias de cada um dos discursos precedentes, como uma ferramenta, ou para negá-la. Havia esquecido também de que, para ela, Eros não é um Deus, mas um Daimon. E havia esquecido de que Eros fora criado à imagem e semelhança de Sócrates. Como ele, também Eros sabe que nada sabe e, por isso, aspira à verdade.
O esquecimento imperdoável, o que me fez prometer a mim mesma que leria O Banquete anualmente para garantir que não esqueceria mais, era da ‘pedagogia amorosa’, exemplificada no caminho (‘a boa via’) que um jovem deveria trilhar desde a adolescência para atingir a revelação da beleza eterna, imutável, absoluta, suprema, a que o amor aspira, como filósofo que é.
July 29, 2007
“Se não garantirmos o nosso, quem vai?”
Esta frase, dita por Sérgio Morrison, organizador da passeata que tenta tomar as ruas de São Paulo, hoje, e integra o movimento ‘Cansei’, é reveladora. A frase é parte integrante da matéria da Folha do último sábado, que traz a opinião de intelectuais que ocupam várias posições no espectro ideológico. Chamam atenção as palavras abaixo:
O psicanalista Tales Ab’Sáber, crítico do PT e do governo, avalia que há de fato uma crise. Mas, segundo ele, o “Cansei” não tem condição de dar uma resposta a ela: “Esse grupo é impotente. Não há interesse real em transformar o Estado. É um muxoxo que não muda a realidade, porque os grupos que estão nele são ligados aos tucanos. Eles isolaram a política da sociedade, produziram essa sensação de impotência de que tudo é complexo demais para ser mudado”.
Dito por um crítico do governo, as palavras ganham ainda mais em relevância. E é inegável o que expressam. A fala de morrison, que também é diretor do Comitê de Jovens Executivos da FIESP, mostra que, pelo menos em parte, o ‘Cansei’ nada traz de novo. É a movimentação de um setor da sociedade que se encontra frustrada por considerar que seus interesses não estão sendo privilegiados como gostariam.
Um movimento crítico ao atual governo, que partisse de frentes mais amplas da sociedade e se mostrasse realmente empanhado em transformações profundas, seria muito bem-vindo. Infelizmente, não é o caso, como informa a quem quiser ouvir o organizador da passeata de hoje.
July 22, 2007

“Pensar é confinar-se em um único pensamento que, um dia, permanece fixo como uma estrela no céu do mundo”.
Essa frase de Heidegger, por contraste, sintetiza à perfeição certa característica da forma com que tenho me aproximado das idéias ultimamente. Essa aproximação é feita de forma apressada, descuidada, superficial. Tenho estado dispersa e sujeita a um excesso de informação – em sua maior parte, dispensável – que afrouxa minhas reflexões a ponto de torná-las inconsequentes.
A dificuldade em escrever e, principalmente, a dificuldade em estruturar o pensamento em formas que possam ser comunicadas – por escrito ou não – vem daí. O sujeito atual típico - sou um, ou não? – não suporta confinamentos. Prefere os espaços abertos da informação apressada ao espaço circunscrito pelos limites do pensamento rigoroso; sente-se melhor sob as luzes artificiais do pisca-pisca que diverte e encanta momentaneamente do que à iluminação dessa estrelinha que ocupa e fascina de forma constante e crescente.